Neste ano de 2012, a presidenta Dilma Rousseff criou a chamada Comissão Nacional da Verdade, órgão este que tem como objetivo realizar, por dois anos, investigações sobre os diversos crimes cometidos pelo Estado entre os anos de 1946 e 1985. Em especial, os crimes que ocorreram durante a Ditadura Militar, que iniciou em 1964 e durou até o ano de 1985.

Integrantes da Comissão da Verdade

Integrantes da Comissão da Verdade

Porém, é importante ter em mente o seguinte: essa comissão não terá poder de processar criminalmente os culpados pelos crimes investigados, por conta da lei de  n° 6.683, conhecida como Lei da Anistia, lei esta que concedeu perdão a todos que cometeram crimes políticos no período da ditadura, sejam eles os militares, sejam os militantes de esquerda.

Mesmo não tendo função punitiva, essa comissão é de grande importância para o povo brasileiro, em especial para aqueles envolvidos diretamente na militância contra a ditadura. Segundo o documento Direito à Memória e à Verdade, elaborado pelo governo federal,há pelo menos 150 pessoas que militavam contra a ditadura militar e que desapareceram após serem presos pelos militares, sendo que até hoje não se sabe o paradeiro destas pessoas. Ou seja, a Comissão da Verdade deverá apurar estes crimes, investigar e trazer à tona a verdade sobre o que aconteceu com estas pessoas, durante este período.

A presidenta Dilma Rousseff disse, durante a intalação da Comissão da Verdade, o seguinte:

“O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la.”

Algumas pessoas destas novas gerações podem se perguntar: Para que me importa saber o que aconteceu durante a ditadura, sendo que eu não vivi aquele período e nem conheço quem viveu? Eu, assim como o Marcelo Pires, que ao descrever sua visão sobre a Comissão da Verdade disse que não possuia vínculo algum com a ditadura, também me encontro nessa situação. Não tive parentes torturados ou militares, e o único vínculo que tenho é bastante indireto: ouço apenas meus pais e tios falando de algum amigo de amigo que foi preso naquela época, mas nada muito direto que diz respeito a minha pessoa. Desse modo, parece que para muitos dessa nova geração, a ditadura militar é apenas um momento histórico mas que já acabou e que não mais afeta as nossas vidas.

Por uma Comissão da Verdade

Por uma Comissão da Verdade

Entretanto, no final de julho uma notícia que circulou na internet foi bastante criticada (e a meu ver, com razão) nas redes sociais: uma estudante de direito de 22 anos articula um movimento para refundar a ARENA, partido da ditadura militar. A meu ver, este tipo de movimento ocorre justamente porque ainda falta muita verdade a ser conhecida. Me parece que esta estudante está motivada apenas por meia-verdades, ou, pela verdade dos que na época estavam no poder, os militares. E lutar para refundar um partido sem saber o que ele fazia, na época, é perigoso, pois esta nova geração pode acabar sendo estimulada por militares ou políticos que continuam com a mesma ideologia da época sem saber o seu real interesse. Isso tudo, para mim, soa como algo bastante perigoso, ou no mínimo, equivocado.

Como disse a presidenta Dilma Rousseff, o Brasil merece a verdade, assim como as novas gerações. Desse modo, não só passaremos a conhecer o nosso passado de fato, como poderemos aprender com ele e assim, não repetir novos erros. Por isso penso que é importante acompanhar o trabalho dessa comissão de perto, divulgar as novidades em blogs e redes sociais, para que a verdade possa ser conhecida. E para que a gente possa aprender e nos proteger dos erros cometidos por conta de nossa ignorância.

Autor: Felipe Rocha