Este trabalho foi apresentado no II Encontro de São Lázaro, realizado na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, entre os dias 13 a 17 de junho. Abaixo, um resumo da apresentação:

A noção e o lugar da Verdade para o Pragmatismo de Willian James (Marcelo da Silva Alves Pires)

As preocupações céticas são reconhecidamente uma motivação histórica ao interesse pela epistemologia. A alegação cética é, de maneira simples, que nenhuma de nossas crenças, teorias, ou qualquer proposição de verdade, está mais objetivamente justificada como provavelmente mais verdadeira do que sua negação. Assim, uma das primeiras tarefas da epistemologia é conduzir um debate quanto a possibilidade de nossas crenças poderem ser justificadas, e, em caso afirmativo, de que maneira.

Na tarefa de compreender se e de que maneira nossas crenças podem ser justificadas, a epistemologia se depara com importantes questões, como: o que é a verdade? O que significa para algo ser verdadeiro? Quais critérios deveriam distinguir o que é verdadeiro do que é falso? Ao longo da história da filosofia e da ciência diversas posturas filosóficas buscaram oferecer caminhos ou respostas a estas perguntas, defendendo a legitimidade ou não da busca pela verdade enquanto empreendimento científico, e, em caso positivo, que lugar a busca pela verdade teria dentro do projeto epistemológico e de que forma deveríamos julgar a verdade ou falsidade de uma proposição, idéia ou teoria.

O pragmatismo, na auto-atribuida missão de oferecer critérios para dirimir embates metafísicos, filosóficos ou científicos, oferece uma tentativa de responder a estas questões, apresentando um tipo particular de postura epistemológica, de critérios de assunção de verdade e, podemos dizer, até de valor da verdade. Este estudo pretende, através da leitura crítica da obra de James, de seus comentadores e críticos, compreender criticamente a posição do pragmatismo a respeito da verdade.

Deste esforço de compreensão teórica alguns pontos merecem destaque: para o pragmatismo, a verdade não é apenas uma questão de coerência entre um conjunto de crenças, muito menos se limita à correspondência com uma realidade objetiva; mas do que isso, o pragmatismo se preocupa com a diferença que uma crença produz por ser verdadeira; a realidade de que se ocupa o fazer científico não é mais absoluta, mas dependente dos sujeitos; o pragmatismo é antes de tudo uma atitude de afastar-se das abstrações e das pretensões ao absoluto, para procurar pelos frutos das teorias; James rejeita a busca pelo conhecimento certo e indubitável, imune à incerteza, e rejeita a idéia intelectualista de que a crença verdadeira seria uma espécie de cópia a ser desvelada da realidade; esta realidade está ainda sendo feita, e assim continuará no futuro, sendo a verdade sempre incompleta; por fim, estaria latente no pragmatismo de James uma tese sobre valores, onde corresponder a uma realidade supostamente independente da mente não seria particularmente valioso para nossas crenças; ao contrário, seriamos bem sucedidos em nossas crenças enquanto estas maximizassem nossa capacidade de explicar, prever e manipular globalmente e em longo prazo nosso mundo.