Este trabalho foi apresentado no II Encontro de São Lázaro, realizado na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, entre os dias 13 a 17 de junho. Abaixo, um resumo da apresentação:

Observações acerca do conceito de “causas mentais” em Intention, de G.E.M.Anscombe (Ricardo Almeida Mota Ribeiro)

G.E.M. Anscombe foi uma filósofa analítica inglesa que estudou sob orientação de Wittgenstein e foi responsável por seu espolio. Sua obra mais grandiosa é a monografia Intention (1957), uma tentativa de caracterizar e explicar aspectos da ação humana e da vontade, cujas passagens serão objeto da presente investigação. No §9 de Intention, G.E.M. Anscombe define as expressões de intenção como predições justificadas por razões para atuar. Os argumentos relevantes para defini-las como predições estão contidos em §1-3. Em relação à parte da definição ‘justificadas por razões para atuar’, G.E.M. Anscombe alonga suas observações nas seções ulteriores, explicando a distinção entre razões e causas, bem como sustentando a idéia segundo a qual para as ações intencionais se aplica o sentido da pergunta – Por que? – que tem por resposta razões para atuar, e não causas. Esta conclusão é central no projeto argumentativo da autora. Por isso, ela esmiúça os contextos no quais torna-se difícil explicar a distinção mencionada. Tais contextos são dados por casos em que as causas pertencem à classe de coisas conhecidas sem observação; ela denomina este tipo específico de causa de ‘causas mentais’. Neste ponto incide a investigação deslindada no presente artigo, composta de duas partes correlatas – uma expositiva, outra crítica. De início, apresentarei a descrição das causas mentais tecida em Intention, e, uma vez apresentada, mencionarei problemas nessa descrição, bem como na distinção traçada por Anscombe, esboçando soluções para estes problemas.